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Eucaristia, Mistério e preceito Dominical

Eucaristia, Mistério e preceito Dominical

POSTADO EM 05.04.2017
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Eucaristia

Do conteúdo da Fé Eucarística emana o modo de celebrá-la e vivê-la. A verdade sobrenatural crida também é celebrada e vivida. A incompreensão desse movimento pode levar à confusão e comprometer essa verdade. Por isso deve ficar em “evidência a ligação entre a norma da oração (lex orandi) e a norma da fé (lex credendi)” e deve ser sublinhado “o primado da ação litúrgica”[1]. A liturgia, por sua vez, expressa a fé da Igreja, que repercute em toda a vida dos fiéis.

Tanto o conteúdo da Fé Eucarística quanto a forma de celebrar o Sacramento apontam para a mesma realidade: a doação de Cristo. Não há como falar do amor de Cristo sem contemplar o mistério da Eucaristia. O sacramento e sua celebração revelam que o amor de Cristo não é uma realidade abstrata, distante e impossível de ser compreendida. Permanecendo mistério, traduzem o significado profundo do amor Divino pela humanidade: “Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o Pão que vem do céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro Pão que vem do céu”[2].

Na liturgia celebra-se o mistério de Cristo. Isso inclui toda sua trajetória: encarnação, infância, vida oculta e pública, paixão e morte, ressurreição e ascensão aos céus. É a oferta de sua vida que revela a intensidade de seu ato humildade de encarnar-se e reveste de sentido seu ministério. Desse modo, a liturgia aponta para a beleza, pois “Jesus Cristo mostra como a verdade do amor sabe transfigurar inclusive o mistério da morte na luz radiante da ressurreição”.[3]

Na véspera de sua entrega, o Senhor ordenou aos seus que preparassem o lugar para a Páscoa[4]. A Igreja julgou que essa ordem se dirige a si mesma.[5] Essa instituição é responsável pela Sagrada Liturgia: promove-a, prepara-a e a transmite. Um ofício divino, pois brota do mistério, daquilo que o Senhor desejou e realizou naquela noite derradeira. Por isso a condução do Oficio e o zelo com todos os ministérios devem expressar essa fé.

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Da fé acreditada e celebrada brota a fé vivida. Repercutem no coração de cada fiel as palavras de Senhor: “Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que me come viverá por mim”[6]. É o mistério da comunhão de vida com Cristo que reconcilia todas as coisas, que assume humanidade e oferece sua divindade.[7] A Eucaristia, como ato supremo do amor divino, leva a caridade, a expressão sincera de amor, que nutre e fortalece as relações.

A vida cristã torna-se existência segundo o domingo. É vida nova no meio de um mundo velho. É dessa verdade que brota o significado do preceito dominical: a vivência do dia do Senhor e da família, o tempo do descanso, a apreensão do sentido da vida e do trabalho. A Eucaristia nutre a vida da Igreja, criando e amadurecendo o vínculo da perfeição: a caridade.[1] A Eucaristia gera pertença a Cristo e comunhão com os irmãos, afasta do pecado e evita divisão no Corpo Místico de Cristo. Por fim, ressoa no meio do mundo como sinal do verdadeiro e sublime amor. Apresenta-se como vestígio do amor pelo qual a humanidade inteira é sedenta, torna-se, assim, fonte nas mais diversas obras caritativas e no testemunho de centenas de milhares de cristão católicos.

Pe. Luan Flávio de Oliveira

Vigário da Paróquia Santa Rita

Arquidiocese de Campinas

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Este é um artigo extraído da Revista Toca de Assis do mês de Março de 2017. Se desejar receber em sua casa nossa revista, acesse>>>http://tocadeassis.org.br/como-doar  


[1] Cl 3, 14 


[1] Papa Bento XVI. Sacramentum Caritatis, n.34

[2] Jo 6, 32

[3] Papa Bento XVI. Sacramentum Caritatis, n.35

[4] Lc 22, 12

[5] Instrução Geral do Missal Romano, n,1

[6] Jo 6,57

[7] Missal Romano. Prefácio Tempo do Natal, p. 445. 

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